Templos pagãos
Embora a Índia seja notável por seus grandes complexos de templos, é importante entender que cada templo teve sua gênese como um pequeno santuário do povo rural. Muito antes de peregrinos de terras distantes virem visitá-lo e muito antes de o patrocínio real permitir a construção de enormes estruturas de templos estilizados, sítios fluviais, nascentes, cavernas, árvores e rochas eram conhecidos pela população local como a morada de vários espíritos da terra. Os primeiros santuários eram simples recintos de palha ou madeira construídos sobre uma pedra sagrada ou sob uma árvore sagrada. Essas estruturas eram principalmente utilitárias, pois delimitavam o perímetro do espaço sagrado e facilitavam a reunião da população local para fins rituais.
Os recintos não eram inicialmente considerados sagrados — eles apenas abrigavam o sagrado — mas, com o tempo, as estruturas também passaram a ser consideradas sagradas. A rocha do recinto sagrado era considerada o aspecto estático, terreno, "masculino", a árvore sagrada era o aspecto dinâmico, fertilizante, "feminino", e juntos representavam o fundamento criativo da vida. A serpente mítica vivia abaixo da terra da pedra sagrada e nos galhos da árvore sagrada. Serpenteando sinuosamente pelos dois reinos, a misteriosa e longeva serpente é entendida como representante de ambos os reinos e, mais importante, como a que os conecta energeticamente. Em toda a vasta extensão da Índia antiga, desde o sul dravídico até as civilizações do Vale do Indo, ao norte, a serpente é, portanto, associada aos locais mágicos do espírito hermafrodita da terra.
Para informações adicionais:

Martin Gray é um antropólogo cultural, escritor e fotógrafo especializado no estudo das tradições de peregrinação e locais sagrados em todo o mundo. Durante um período de 40 anos, ele visitou mais de 2000 locais de peregrinação em 160 países. O Guia Mundial de Peregrinação em Sacredsites.com é a fonte mais abrangente de informações sobre este assunto.


