Templo de Hera, Paestum
Aproximadamente noventa quilômetros ao sul de Nápoles, na Itália, fica a antiga cidade de Paestum. Lendas contam que a cidade foi fundada por Jasão e os Argonautas, mas arqueólogos, incomodados com o conteúdo das lendas, atribuem o nascimento de Paestum a colonos gregos do século VII a.C. Paestum foi por muito tempo conhecida como Poseidonia, indicando que o local já foi um centro cerimonial de Poseidon (o Netuno romano), o deus do mar. Os dois templos principais, a Basílica de 7 a.C. e o Templo de Netuno de 550 a.C. (mostrado na foto), foram originalmente dedicados à deusa da fertilidade, Hera. Um terceiro templo no local era dedicado a Atena, a deusa da sabedoria, da consciência espiritual e das artes. Poseidonia foi conquistada e ocupada em 450 a.C. pelos lucanos, um povo italiano que governou até 400 a.C., quando a cidade se tornou uma colônia romana. Com a queda do Império Romano, a disseminação da malária a partir dos pântanos próximos e os ataques muçulmanos no século IX, Paestum entrou em declínio e ficou deserta por muitos séculos. Redescoberto apenas em 273 por uma equipe italiana de construção de estradas que trabalhava na região, Paestum é o complexo de templos gregos mais bem preservado do mundo mediterrâneo.
As dedicações iniciais do templo a divindades femininas indicam que o local era originalmente sagrado para cultos pré-históricos de deusas da terra, antes de sua usurpação pelo sacerdócio patriarcal de Poseidon. Hera era uma deusa da fertilidade e da criatividade, e Atena era uma deusa da arte e da sabedoria espiritual. Hera e Atena realmente existiram como entidades físicas discretas, ou essas deusas deveriam ser entendidas como codificações mitológicas das qualidades energéticas particulares do local? De acordo com minhas teorias, o gênero das divindades primárias no local é uma indicação do gênero das energias da terra (o que também pode ser chamado de qualidades yin e yang do local), e as características de personalidade das divindades são uma indicação metafórica de como o local afetará os seres humanos. Videntes e radiestesistas que visitam Paestum observam que a área das ruínas é propícia ao despertar e à amplificação da capacidade de criatividade artística. É fascinante notar que uma lenda popular ressoa com essa ideia. Casais sem filhos acorrem ao templo de Hera para copular sob o céu noturno, acreditando que fazer amor dentro do santuário da deusa invocará sua influência fertilizadora e, assim, garantirá a gravidez. Em Paestum, Hera não é apenas uma deusa da fertilidade, mas também uma deusa do parto. Em última análise, esses mitos nos falam do poder deste lugar para gerar renovação no espírito humano.

Martin Gray é um antropólogo cultural, escritor e fotógrafo especializado no estudo das tradições de peregrinação e locais sagrados em todo o mundo. Durante um período de 40 anos, ele visitou mais de 2000 locais de peregrinação em 160 países. O Guia Mundial de Peregrinação em Sacredsites.com é a fonte mais abrangente de informações sobre este assunto.



